Uma das coisas que uma mulher pensa quando está grávida é o sítio onde quer que o bébé nasça. Eu não fui diferente e uma das coisas que comecei a analisar foi o hospital. Havia duas escolhas em causa, pensar em mim ou pensar nele. Pensar em mim, no meu conforto, na companhia do T. levava-me a um hospital particular; pensar nele e no caso de ter algum problema teria que ir para um hospital público. Quando fui fazer a ecografia das 12 semanas, a médica detectou uma dilatação num rim, o que me deixou preocupada, apesar de me ter dito que era normal principalmente nos rapazes e que podia desaparecer até ao fim da gravidez. Mas na ecografia seguinte não tinha desaparecido, tinha aumentado. A minha médica, minha cunhada, dizia-me que se me sentisse mal ou tivesse algum problema fosse para o Hospital Pedro Hispano.Se as coisas não tivessem corrido como correram, não sei pelo que tinha optado.
Quando fiquei internada nas grávidas de risco, estava comigo na enfermaria uma rapariga que chegou no mesmo dia que eu e que teve o filho no mesmo dia. Chama-se Pedro e nasceu às 26 semanas com 800 gramas. No primeiro dia que entrei no serviço de neonatologia, o meu corpo gelou, senti um arrepio pelo corpo todo. Não sabia onde estava a incubadora do Rodrigo e no caminho até ele passei por muitos "Pedros" com 800, 600 gr. Quando finalmente o vi achei-o enorme, gordinho até! Há males que vêm por bem e este foi um deles. Foi um curso intensivo, que aprendi imenso, nos dias, que me pareceram meses que lá passei. É admirável o carinho e dedicação de toda a equipa, não deve ser fácil lidar com as emoções dos pais. Não pensei que fosse ser capaz de dar banho ao Rodrigo numa "taça" minúscula, ou mudar-lhe a fralda dentro de uma incubadora. Foram dias muito desgastantes, entravamos lá de manhã e saíamos à noite. Durante o dia ainda ía para uma sala que eles lá tinham com uma bomba tentar tirar leite para lhe darem durante a noite. Só no dia é em que veio embora é que nos disseram que ele ía ter alta, não criavam espectativas e nós também só queriamos leva-lo para casa quando ele estivesse bem.
Muito obrigada todos!Joana


1 comentário:
N imagino a dor que foi veres o teu bébé ali tão indefeso.Tu e todos os outros pais.
Mas felizmente o Rodrigo está bem e saudável...
Bjs e bom fds.
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